O PIB brasileiro apresentou queda histórica em 2020, registrando uma recessão de quase 11,5% em comparação com o ano anterior, de acordo com o último levantamento do IBGE. O cenário levou instituições privadas do país a apostarem em mercados estrangeiros, a fim de não dependerem da economia nacional. 

A estratégia foi adotada por mais de 70% das empresas do Brasil em 2018, segundo dados da Fundação Dom Cabral. Em tempos pandêmicos, a internacionalização das empresas brasileiras pode, portanto, ser uma solução para driblar a crise econômica. 

Mas optar por expandir as fronteiras da companhia exige a superação de alguns desafios. Um deles, e talvez o maior, é que, de acordo com o British Council, 95% dos brasileiros não tem afinidade com o inglês – idioma obrigatório quando se deseja fazer negócios com estrangeiros. 

Inglês in company é requisito para a internacionalização 

Desde 2016, Roberta Falcão lidera a escola de inglês Ruby Academy, empresa que oferece cursos individuais, mentorias especializadas e aulas corporativas – focadas no ensino do inglês para funcionários de empresas. 

Ela explica que aulas de inglês in company são desenhadas para atender ao objetivo de cada empresa, levando em consideração o setor em que está inserida. A personalização é a palavra-chave desta modalidade de aprendizado.
“Uma empresa brasileira que deseja entrar no mercado internacional, por exemplo, poderá ter aulas sobre planejamento, ‘pitch’ e vocabulários próprios para negociações”, aponta Roberta Falcão.

Desde o início da pandemia, a empresa percebeu um crescente interesse das instituições pelo inglês in company. Do período de abril a junho, houve um aumento de quase 50% no número de clientes.

“Apareceram muitos alunos novos. E tivemos algumas mudanças de cronograma, já que várias turmas optaram por fazer aulas em horários em que, teoricamente, estariam no trânsito entre casa e trabalho – ou seja, 8h da manhã e 17h da tarde”, afirma a professora.

Ela inclusive precisou se adaptar para atender à crescente demanda pelo ensino in company. “Novos professores chegaram para nos ajudar a atender a todos. O comercial cresceu também – agora tenho pessoas específicas focadas em ensinos para empresas e para alunos individuais”, informa.  

Novas possibilidades de negócios no pós-pandemia 

A pandemia e o isolamento social provocaram alterações em praticamente todas as empresas do país. Um levantamento feito por André Miceli, coordenador de Marketing da FGV, revelou que cerca de 30% das companhias privadas pretendem continuar com o trabalho remoto, mesmo após o fim da crise do coronavírus.

A expectativa é de que o regime de home office traga novas oportunidades – que também podem ser impulsionadas pelo inglês in company.

O fato de os trabalhadores não precisarem morar na mesma cidade na qual se localiza a sede da empresa, faz com que abra-se um leque de possibilidades de contratações. “Com o home office, a barreira geográfica foi quebrada, então muitas empresas podem contratar pessoas de outros países”, afirma Falcão. 

Assim, instituições brasileiras poderão, cada vez mais, aprimorar e qualificar suas equipes. Porém, antes desse passo, é fundamental que os novos contratados consigam se comunicar com todos os funcionários, o que reforça a importância de aulas de inglês adaptadas à rotina corporativa. 

“Os materiais escolhidos para as aulas são baseados nas necessidades de cada um. Ou seja, o vocabulário e termos mudam de empresa para empresa. E essa sempre foi a raiz de nosso curso: atender às demandas específicas de cada aluno”, aponta Falcão.

Roberta, cujo escritório fica no estado do Rio de Janeiro e oferece aulas on-line para pessoas de diversas localidades, explica que as distâncias geográficas não interferem nos resultados. “É como se estivéssemos em uma aula particular presencial”, afirma a professora.

Diversidade nas empresas: inglês in company garante maior inclusão nas vagas de emprego

Diversidade nas empresas

A diversidade nas empresas e nas equipes de profissionais tem sido uma pauta recorrente no mundo corporativo nos últimos anos.

Empresas que permanecem em padrões antigos, contratando majoritariamente funcionários brancos e héteros, por exemplo, podem ser alvos de críticas e questionamentos sobre falta de representatividade.

O recente caso da Nubank é exemplo dessa reação. Em outubro, a cofundadora da empresa, Cristina Junqueira, afirmou durante sua participação no programa Roda Vida que “há dificuldade em encontrar candidatos negros adequados para as exigências das vagas”, recebendo feedback negativo de telespectadores e clientes.

Diversidade nas empresas: Ampliar a representatividade

Ampliar a representatividade exige adaptação, tanto dos processos seletivos, quanto das práticas institucionais. “As empresas têm apostado na busca por candidatos negros, LGBTQIA+, pessoas mais velhas.

Porém, para ter diversidade, é preciso ter flexibilidade”, afirma a diretora geral do Grupo Capacitare e diretora de Comunicação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RJ), Débora Nascimento.

Essa flexibilização demanda novas estratégias das equipes de seleção e departamento pessoal. A questão pode ser facilmente exemplificada quando se trata da exigência do inglês avançado em processos seletivos.

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