Laryssa: Quais são as metodologias para a educação bilíngue que estão na vanguarda?  

Roberta: É importante diferenciarmos o Método Bilíngue, que é uma jogada de marketing com aulas diárias por uma hora, de uma escola bilíngue, onde temos sim a imersão na língua inglesa, e de fato poucas escolas têm essa certificação. Já com relação a introdução a uma língua estrangeira, o ideal é que seja entre 2-4 anos de idade para introdução a um segundo idioma. Existem pesquisas com crianças bilingues que tem atraso na fala de ambas as línguas, mas depois de alguns anos elas conseguem acompanhar então se os pais já vivem em um ambiente bilíngue, aqueles que moram fora por exemplo e falam a língua materna em casa ou se os pais optam pelo ensino bilingue em uma escola como acontece aqui no Brasil com uma escola bilíngue é esse tipo de experiência que costumo ver os pais relatando ou se queixando, desse atraso, mas isso é absolutamente natural, pois o cérebro da criança bilingue está de fato trabalhando o dobro. Para os muitos pequeninhos a fala vai vir, e deve vir, muito anos da escrita. Não existe um número máximo de horas de estudo, mas para ser realmente bilíngue a crianças precisa estar imersa, então precisa ser o tempo todo na escola. E sim, claro os pais podem e devem participar, os filhos adoram essa interação com os pais e pode virar um momento de lazer onde um na verdade está ajudando o outro, essa interação pais e filhos é extremamente importante no ambiente fora da escola.

Não existem dados conclusivos, só quando chegar na fase adulta é que verdadeiramente saberemos se as escolas bilingues ou o método bilingue serão eficientes. Costumo dizer que o HD da criança é zerado então é mais fácil fazer associações à medida que a criança aprende o idioma, já o adulto vai buscar o significado em português, mesmo que não seja estimulado pelo curso, exemplo: tree, mostra a foto de uma árvore para as crianças pequenas, mas o aprendiz adulto vai pensar ‘ahh é uma árvore’, é um processo mental, mesmo que o professor mostre a foto, fora que é difícil expressar verbos e substantivos abstratos por fotos.

Crianças são esponjas e aprendem tudo que você ensina, já adultos só aprendem aquilo que eles acham que será útil, esse é uma das diferenças entre aprendizado na fase infantil e na fase adulta, mas existem inúmeras diferenças de abordagem entre aprender na fase infantil e aprender na fase adulta.

 

Laryssa: Como os pais devem escolher considerando a escola ancorada com parcerias com cursos de inglês ou cursos fora da escola?

Roberta: Existem inúmeras escolas de inglês e os pais devem pesquisar aquelas que se enquadram no perfil deles, além da escola em si tem também questão de carga horária, custo e localização, isso tudo influência a tomada de decisão. Por exemplo, aqui no Rio de Janeiro chegou forte um curso de inglês para crianças, com foco em gramática, tem outra, por exemplo com gestão descentralizada, mas de fato a escola forma adultos funcionais na língua inglesa. Outras tem alunos que adoram e alunos que odeiam, depende muito, vai de cada aluno e perfil dos pais. Alguns cursos com foco em metodologias diferentes e inovadores, incorporando neurociência ao aprendizado de línguas, e outras que você vê mais do mesmo, que são repetições massivas com vocabulário limitado.

 

Laryssa: Quais são as melhores metodologias para aprender inglês?

Roberta: São várias e depende muito de cada aluno e abordagem escolhida pela escola/ curso, mas para dar um panorama geral temos a Audiolingual, onde o aluno aprende por repetição na língua inglesa. Temos também a abordagem comunicativa, onde é introduzido um tópico e a partir dali a parte gramatical é pontuada. E por fim na vanguarda das metodologias temos a neurociência, ou neurolanguage, em inglês, que é a associação de neurolinguística e educação para aprendizagem de línguas, onde não somente se estuda o conteúdo em si, mas como nosso cérebro assimila conteúdo, pois um aluno em um ambiente em que ela se sinta à vontade terá muito mais chances de aprender de verdade.

 

Laryssa: A estrutura familiar influi na tomada decisão na escolha de um curso de inglês?

Roberta: Com certeza, os pais precisam de colocar as crianças em horário estendido na escola, é o que a gente chama “one-stop shop”, porque eles estão trabalhando e precisam ter esse apoio da rede, e muitas das vezes essa rede se resume a escola. Então é conveniente para a escola e para os pais, porque vira uma solução, e no fim do dia os pais querem que tratem bem seus filhos, isso é o que os pais querem de verdade, claro que eles se preocupam com o ensino, a qualidade, mas o carinho que a escola coloca na parte pedagógica e no tratamento para com as crianças os pais se derretem, isso na verdade é o mais básico e o mais fácil, infelizmente muitas instituições ainda não despertaram para o ensino humanizado que o século XXI pede.

 

Laryssa: Essa pressão toda para aprender inglês, é realmente necessário?

Roberta: O ideal é estimular através de vídeos online, pela facilidade de acesso, exemplo no YouTube tem um canal chamado Super Simple Learning, que é super didático. Tem também o app Duolingo, de desenho tem o cartoon Dora, que também está no YouTube, entre outros, mas sem projetar no filho as frustrações dos pais, porque o que acontece muitas vezes é que os pais não têm fluência na língua inglesa, gostariam de ter e transferem essa frustração para os filhos. E ter em mente que talvez não funcione para seu filho, uma metodologia específica ou outra. Em algum momento esses vídeos lúdicos e educativos precisam se tornar aquisição no idioma, o que significa fala e escrita eficientes. A obrigação de aprender se torna prejudicial para os filhos, pois eles sentem essa pressão, o ideal é acompanhar a proposta pedagógica sim das escolas e cursos, mas sem neura.

 

Laryssa: Com a pandemia houve uma procura exponencial pelas aulas online, elas realmente funcionam?

Roberta: Muito, na verdade quando o ensino é de qualidade e comprometido com os alunos não existem diferenças entre presencial e online, lógico que a abordagem precisa ser adaptada, mas isso não compromete os resultados. Houve sim uma diminuição absurda de objeções devido a pandemia, eu acredito muito no ensino online de aulas de inglês para público infantil particular e turmas online. Uma das adaptações que precisam ser feitas é o tempo de aula, quanto menor a criança menor é o tempo dela de concentração, no online isso fica ainda mais evidente, mas tenho visto resultados surpreendentes nesse campo também. E fora que sou gestora da Ruby Academy, um curso de inglês para adultos com foco em Business English, e que já nasceu online e opera nesse modelo desde 2015, muito antes da pandemia.

 

 

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